A política neste ano, tem sido um grande folhetim de baixo orçamento, uma novela canhestra. Temos uma direita que surgiu sem lastro histórico, se uma imagem realmente amarrada a um público conservador, e que na persistência do mau agouro econômico, tem de ser micos de torcida, grandes personagens irreais de posicionamentos hiper-conservadores, para abastecerem as paranoias de um público volátil, que “cancela” – termo bem interessante do mundo artístico contemporâneo, que cabe nessas situações políticas – personagens a qualquer suspeita, a um posicionamento dúbio. Enfim, é uma ultradireita parva e espetaculosa, que desmorona na mesma cova, vendo quem é deitado primeiro.
No entanto, é uma direita que não encontra oposição. Uma direita sem comunicação entre si, antropofágica, sedenta, onde precisam preocupar só em quem vai sobreviver para capturar os votos dessa turba raivosa, já que nem precisa haver união diante de um inimigo comum. Atualmente, o inimigo comum é um fantasma chamado lulo-petismo, um espantalho que chacoalham para amedrontar os corvos, que debandam ainda mais para posicionamentos incoerentes e coletivo-destrutivos.
Não que eu torça ou vibre pela esquerda, mas como o esporte, é sempre bom ver um bom combate, um bom jogo. Neste que vemos, só tem um time em campo, os jogadores estão se agredindo e o jogador que eles realmente temem foi expulso do campeonato. A força política da esquerda se converteu no PSDB nas épocas de Lula: uma dependência da mídia para o desgaste, para o escracho, na esperança de se aproveitarem da lasca pra ruir um prédio. Nisto, não que a mídia não tenha sua importância, mas ela ganha uma força além de sua competência original porque não há proposta de desgaste baseada em nenhum projeto decente de contraposição ao bolsonarismo, ao desmonte. O projeto é o afã de voltar novamente aos “tempos áureos”, na condução de um velho Messias..

De um messias político a um messias de sobrenome, o escalabro na espera, no aguardo da ordem.. Se essa ultradireita anencéfala está brigando pra quem vai pra cova primeiro, a esquerda, no atual momento, é o osso lustrado já sem carne, que jáz no fundo dessa cova. Só incomoda os vivos em conflito na sua percepção fantasmagórica, da qual eles fazem uso para se manter relevantes.

Por: Tago Elewa Dahoma (Thiago Soares), em 17 de outubro de 2019

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