O dito “desencanto” com o B.O. não é nenhuma surpresa. Em pouco mais de 6 meses, houve um despencar na aprovação de seu governo junto à população, fazendo da euforia com sua eleição se tornar na aprovação mais baixa a um presidente eleito desde a redemocratização, com o mesmo período de mandato. As pessoas que lhe deram voto, muitas de maneira entusiasmada, fizeram o mesmo movimento de sempre: acreditaram num messias político, num gênio da lâmpada que faria todos os problemas se resolverem com um estalo de dedo, sem precisar ter nenhum conhecimento prévio para fazê-lo.. Há uma perspectiva magico-idólatra em figuras populistas, uma certa aura de midas que, via de regra, nunca se confirma. Mas mesmo assim, elas sempre aparecem e se firmam no cenário de maneira catastrófica.

No fundo, nada se aprende com o histórico político brasileiro. Há os que se aproveitam desse dado para fazerem seu nome e capital, e outros que são apenas telespectadores de uma mesma novela, que mesmo sabendo o final, torcem em esperança para um final diferente, mesmo tendo assistido várias vezes aquelas cenas.
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No fundo, os desiludidos com Bolsonaro preferiram se agarrar a fé em um salvador, mesmo diante das evidências de desabono, porque é mais fácil ter um responsável caso a lua-de-mel se torne lua-de-fel. A responsa tá sempre no outro. A fé tá sempre no outro. Até que ponto este componente de fé cristã no impossível é também uma medida de pleno desespero e desesperança no porvir, a sempre esperar um milagre de onde nunca houve a mínima suspeita, a mínima vontade de ser diferente, a mínima fala que endossasse tal fé e apoio.
O componente humano, com todas as possibilidades que lhe cabe, abre brechas para coisas estranhas: eu comparo o apoio dos agora desiludidos ao B.O. o mesmo que esperar a colheita de arroz no deserto do Saara, e quando ela não ocorre, eu ficar triste com a situação. Sem uma preocupação com o clima, com o terreno, com a temperatura, mas só com o meu desejo de colher algo do meu interesse em qualquer solo, como um ato apenas de fé, de esperança.
O componente humano tão maravilhoso como a fé, quando a serviço da desesperança, da desinformação, manipulação e do simples ódio, produz estragos tão palpáveis como uma guerra em curso.
Por: Tago Elewa Dahoma (Thiago Soares), 12 de julho de 2019.

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