Uma afirmação: não podemos ser apenas especialistas em racismo. Acho importante sabermos seus desdobramentos, suas aplicações práticas e simbólicas em nossas subjetividades e corpos, mas não podemos parar aí. Ser um entendido sobre o racismo, dischavar suas lógicas sem ter em mente um processo de transposição ou de diminuição do impacto é abrir crateras em pequenos buracos. O entendimento sobre o racismo, quando o obtemos, é como um veneno induzido ao corpo, que se não acharmos o antídoto, nos paralisa, nos sufoca.

Entender é apenas uma das etapas, mas uma bastante perigosa se não se vê pontos de combate, de fissura. É um assunto bem penoso e custoso a nós para que ele não seja apresentado sem uma perspectiva de luta, de enfrentamento. Sem esta visão, só espalhamos o veneno junto com aqueles que os aplicam forçadamente.

No meu entender, ser afrikano-centrado é uma resposta ao racismo, buscar conhecer nossa História, nossos processos de luta, nossas falhas e nossas pequenas vitórias (estamos aqui, né?). Há outras tantas possibilidades de ação, de mobilidade e atividade em pról do seu povo. Conheça e aplique.

O racismo paralisa. Nosso dever é diminuir o poder do veneno, e pra isso precisamos agir. Busque o que tu faz de melhor e entrega nesse combate, o mais velho já disse.

Por: Tago Elewa Dahoma (Thiago Soares), em 23 de abril de 2019.

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