O nome “China” significa “Reino Médio” em mandarim. É extremamente significativo pois encarna a alma coletiva dos chineses quanto ao seu papel no mundo. O nome deriva da crença que o Reino da china é o que separa o reino dos homens do reino dos deuses ou além, ou seja, eles estão acima de todos os outros povos.

O que vemos hoje é a china na busca desse ideal, atacado pelo imperialismo britânico no século XIX, colocando o império chinês num lugar de servidão, tendo os seu mercado forçosamente aberto ao Reino Unido. A vergonha de ter sido obrigada a descer do pedestal “sobrehumano” que se colocaram, em minha singela e humilde opinião, dos fatores da agressividade dos chineses em galgar uma posição, que para eles, jamais deveriam ter perdido.

Olhando o governo “socialista”, podemos ver que ela é uma revolução com objetivos internos, de mudanças sociais e econômicas, como se quisessem fechar-se para se recuperarem do tombo dos imperialismos externos (britânico e japonês). No entanto, mesmo com as transformações socioeconomicas e do verniz socialista em uma base capitalista e ultracompetitiva – no mercado externo, diga-se de passagem – vemos que a cultura é o elo, embasado e embalado neste ideal, não sendo modificado por nenhuma diretriz econômica ou política. O retorno à grandeza mítica é o alvo. A noção é a mesma de quando eram uma monarquia.

Olhando a postura agressiva comercial dos chineses no mundo, sobretudo na Afrika, comprando terras e “desenvolvendo” as infraestruturas ferroviária, de portos e estradas dos países para logo em seguida lhes tomar o que foi construído e tudo o que for possível mediante dívidas contraídas, mostra que para recuperar o seu lugar como império, como uma civilização que achava os não-chineses bárbaros, a disposição é total e inequívoca.

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(https://noticias.r7.com/internacional/poder-em-expansao-china-investe-pesado-na-reconquista-da-africa-10092018)

Esse tratamento pode ser visto na ocupação do Tibet em 1950, com as esterilizações e estupros de tibetanas e atulamente, com a prisão de quase um milhão de uigures (etnia de maioria muçulmana) no sul do país

Ao contrário dos eua e europa, ou seja, um modelo que molda as percepções via religião e educação dos povos dominados, os chineses não estão preocupados em converter as pessoas à sua cultura. A servidão será via força militar e via economia. Os seus valores culturais, muito caros, servem apenas aos seus cidadãos. A força numérica com certeza influencia nesse olhar, além de outro elemento muito conhecido por nós: Raça. Ser da etnia Han (majoritaria) é ser de fato chinês aos olhos do governo, apesar das dezenas de etnias que vivem no país.

Podemos pagar de românticos e falar o quanto estão moralmente errados, que eles deveriam pensar na situação dos países em posição mais fraca. Mas a culpa não é totalmente deles. Eles seguem a lógica a qual foram submetidos: tratamento atroz a quem não puder reagir à altura. A culpa é de quem não consegue impor sua barganha. Afrika está sendo tomada por conta da mentalidade de capanga dos governantes, mais interessados nas relações com os antigos mestres do que com o povo. Enquanto o Continente não for visto do ponto de vista do seu capital humano, seremos o quintal dos outros, dos interesses, sonhos e objetivos alheios, sendo acossados como ovelhas em campo aberto.

Espero que os afrikanos e afrikanas ao redor do mundo possam aproveitar a próxima janela de oportunidades para desenvolver e livrar o Continente de seus parasitas, e pelo que me consta, vai demorar..

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